sexta-feira, 6 de setembro de 2024
HINO DA INDEPENDÊNCIA DE 16 DE AGOSTO DE 1822 - PARTES 1 e 2
EDITAL DATADO DE 21 DE SETEMBRO DE 1822 CONVOCANDO PARA ATO DE ACLAMAÇÃO DE D. PEDRO PARA O DIA 12 DE OUTUBRO, SEU ANIVERRIO.
CARTA AOS PAULISTANOS DE 08 DE SETEMBRO DE 1822, SEM QUALQUER REFERÊNCIA AO GRITO DO IPIRANGA NO DIA ANTERIOR
CARTA AOS PAULISTANOS DE 08 DE SETEMBRO DE 1822, SEM QUALQUER REFERÊNCIA AO GRITO DO IPIRANGA NO DIA ANTERIOR.
DIÁRIO DA CONSTITUINTE DE 1823. Sessão de 04 de setembro de 1823. Oficialização da farsa do 7 de setembro
DIÁRIO DA CONSTITUINTE DE 1823. Sessão de 04 de setembro de 1823.
Oficialização da farsa do 7 de setembro
Depoimento do irmão da Marquesa de Santos, Francisco de Castro Canto e Mello (1799-1867), em 16 de dezembro de 1864 (42 anos depois), corroborando a farsa-PARTES 1 a 4
Depoimento do irmão da Marquesa de Santos, Francisco de Castro Canto e Mello (1799-1867), em 16 de dezembro de 1864 (42 anos depois), corroborando a farsa
sábado, 24 de agosto de 2024
Livreiros de rua, cultura do livro e burocracia estatal
Publicado originariamente no jornal O DIA, em 25/08/2024, pag. 12. Link: https://odia.ig.com.br/opiniao/2024/08/6905206-joao-batista-damasceno-livreiros-de-rua-cultura-do-livro-e-burocracia-estatal.html
sábado, 10 de agosto de 2024
Roberto Carlos na Academia Brasileira de Letras
A Academia Brasileira de Letras (ABL) é uma instituição
incompreendida. Há os que a louvam exageradamente e até os que questionam a
necessidade de sua existência. Em se tratando de uma instituição privada não se
pode negar-lhe o direito de existir e de recrutar seus membros pelo critério
que lhe convier. O mais frequente questionamento é sobre a derrota de Mário
Quintana. Mas o poeta somente disputou uma vez e saiu dizendo: “Todos esses que
aí estão atravancando meu caminho, eles passarão... Eu passarinho!”. E
passarinhando foi-se!
Carlos Drummond de Andrade jamais postulou. Mesmo convidado e
dispensado das visitas protocolares não aceitou. Monteiro Lobato candidatou-se
quando jovem e não foi eleito. Mais tarde convidaram-no. Mas condicionou o
aceite ao assento na cadeira n.º 37, ocupada por Getúlio Vargas. Para tanto, o
presidente precisaria contribuir com a própria morte. Aconteceu o contrário.
Monteiro Lobato morreu antes que Getúlio Vargas suicidasse num gesto heroico,
prorrogando o golpe empresarial-militar por uma década.
Como em toda paróquia não faltam as fofocas. O imortal
Humberto de Campos dedicou-se a ‘falar mal’ nos seus diários, a serem
publicados vinte anos após sua morte. Mas cedo faleceu e quando publicado todos
de quem havia falado ainda estavam vivos. Quando da morte do imortal Agripino
Grieco, que também falava de todo mundo, o imortal Ivan Lins, ao invés de
homenagear o morto, só faltou chutar o caixão. Processado foi defendido pelo
posterior imortal Evandro Lins e Silva. Quando Bernardo Élis derrotou o presidente
Juscelino Kubitscheck, o imortal Josué Montello difundiu fake News sobre o
motivo da derrota. Mas quem leu “O Tronco” ou seus contos, sabe do valor
literário do imortal goiano e sua importância para entender o regionalismo, o
Brasil profundo e o poder dos coronéis em Goiás.
A imortal Nélida Piñon dizia que a ABL, que presidiu, não era
uma academia de escritores. Mas da elite de cada área do conhecimento humano. A
palavra elite é mal apropriada no uso cotidiano. Elite são os melhores de cada
grupo. Não é sinônimo de classe dominante. Atletas brasileiros que nos trazem
as medalhas das Olimpíadas são a elite de cada modalidade desportiva. Este é
conceito de elite, sem consideração a classe social ou patrimônio material.
A ABL sempre foi pluralista. Dentre seus fundadores estava
Coelho Neto, filho de um português com uma indígena, e um negro, o
abolicionista José do Patrocínio, filho de um padre com uma adolescente
escravizada originária de Gana. Os imortais Humberto de Campos e Carlos Heitor
Cony e o literato Antonio Carlos Villaça dizem que teve até um filho do
fundador e primeiro presidente, Machado de Assis. Em se tratando de uma
miniatura do Brasil é crível a existência de nepotismo, mas a estória precisa
ser confirmada.
De tudo já tivemos na ABL: gênero, raça, etnia, convicções
políticas, estilos literários, médicos, magistrados, militares, compositores,
cantores, artistas, presidentes da República etc. Mas nunca tivemos um
capixaba. E não por falta de talento no Espírito Santo, pois o cronista Rubem
Braga era de Cachoeiro do Itapemirim. A esperança é o cantor Roberto Carlos.
Não sei se tem livro publicado. Mas isto não é problema. Não será o primeiro a
colocar capa dura numas folhas impressas e chamar de livro. E para dar volume
pode fazer como o imortal Lauro Müller, imprimindo em papel encorpado. Até
ajudo a escrever. Para publicar, pediremos ao Zé Mário da Topbooks, que
publicou o livro “Antônio Torres, uma Antologia”, com organização e estudo
introdutório de Raul de Sá Barbosa. Ah! O Antônio Torres publicado pelo Zé
Mário e que desancava com a ABL era o mineiro que nasceu no século XIX e não o
baiano que atualmente tem assento na cadeira n.º 8.
Sou mineiro e não posso reclamar. Minas Gerais jamais deixou
de ter assento na ABL. Hoje temos Ailton Krenak, Edmar Bacha, Eduardo
Giannetti, Geraldo Carneiro, Ruy Castro e Zuenir Ventura. Nem vou falar dos
falecidos imortais, dentre os quais Guimarães Rosa. Este somente não é
unanimidade entre nós por causa da dissidência do Nelson Rodrigues, que de sua
obra falava mal e ainda atribuía a terceiros o que escrevia.
A ABL, desde sua fundação em 1897, já atribuiu a imortalidade
a duzentas e setenta pessoas, incluindo os quarenta atuais acadêmicos. Não há
vaga. Algumas cadeiras têm maior rodízio. As cadeiras n.º 09 e 13 já foram
assentadas por nove imortais. As cadeiras n.º 7 e 11 por dez. Pela cadeira n.º
4 apenas quatro assentaram. Mas o menor rodízio não significa garantia de
longevidade. A cadeira n.º 6, já assentada por seis acadêmicos, atualmente pelo
imortal Cícero Sandroni, foi ocupada pelo imortal Barbosa Lima Sobrinho por 63
anos, o mais longo mandato já registrado.
A ABL contribui para a difusão da língua portuguesa na sua
forma escrita. Roberto Carlos também o faz. Muitos leem suas letras visando a
decorar para cantar. Mais que a ABL e Roberto Carlos somente faz mais pela
língua escrita o Livreiro Olivar, o Vavá, que vende livros a R$ 2,00 na entrada
do Metrô da Carioca durante a semana e na Praça XV aos sábados. Roberto Carlos
na ABL, já! Ou melhor, daqui a algum tempo quando surgir vaga! Além da moqueca
e das praias de Guarapari queremos um capixaba como imortal.
Fonte: publicado originariamente no jornal O DIA, em
10/08/2024, pag. 12. Link: https://odia.ig.com.br/opiniao/2024/08/6896644-joao-batista-damasceno-roberto-carlos-na-academia-brasileira-de-letras.html





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